O primeiro passo é sempre o que a gente lembra.
O segundo, a gente sente.
O décimo, a gente esquece que começou.
Tem passo que a gente arrasta
como quem não quer chegar.
Tem passo que a gente alonga
pra ver se o caminho dura mais.
Passo de pressa,
passo de fuga.
A gente anda e nem percebe
que o chão muda de cor
que a sombra muda de lado
que o passo seguinte já não é
o mesmo que a gente planejou.
Às vezes o passo é largo
e a gente pensa que tá perto.
Às vezes o passo é curto
e a gente nem sai do lugar.
Passo em falso.
Passo marcado.
Passo que volta.
Passo que some.
Tem passo que a gente dá por dar
só pra dizer que andou.
Tem passo que a gente conta
como quem conta moeda
como quem quer juntar distância
pra trocar por alguma coisa.
E no meio do caminho
a gente descobre
que passo não se acerta,
se acolhe.
Que passo não se mede,
se vive.
Que o passo da gente
não é o passo do outro
nem devia.
Tem passo que desaprende.
Tem passo que inventa.
Tem passo que carrega.
Tem passo que solta.
E quando a noite chega
e a estrada some,
o que fica não é o passo certo,
mas o chão quente
de quem tentou.
Passo a passo.
Passo com passo.
O passo é a prova
de que a gente ainda
vai.
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